terça-feira, 3 de abril de 2012

Presidente da Hungria renuncia por fraudar tese de doutorado. Dilma e Mercadante renunciarão quando?




O presidente da Hungria acaba de renunciar porque, há vinte anos, falsificou sua tese de doutoramento, embutindo nela mais de uma centena de páginas de um pensador búlgaro.

A gente vive em um país tão estranho que, eu mesmo, intolerante de carteirinha, não sei avaliar se isso é motivo para uma atitude tão radical. Acho até que já assimilei novos padrões depois de quase dez anos sob a influência diária das mentiras que o PT conta. Passei até a ser mais tolerante com certos deslizes dos políticos por absoluta falta de parâmetros.

Vejam, por exemplo, o caso dos 44 apartes de 44 senadores manifestando solidariedade a Demóstenes Torres após este declarar na tribuna, em alto e bom tom, que “Carlinhos [Cachoeira] não era conhecido entre nós por explorar jogos de azar”. Estavam entre eles Pedro Simon, Jarbas Vasconcelos, Romero Jucá, Lobão Filho, Aécio Neves, Aloysio Nunes Ferreira, Alfredo Nascimento, Eduardo Suplicy e sua ex, Marta Suplicy, vice-presidente do Senado, que, empolgada e cheia de amor para dar, classificou Demóstenes como o “maior e mais brilhante opositor na Casa” e que “a atitude de ter vindo se colocar em plenário levou toda a Casa a ter uma postura uníssona, de situação e oposição, o que é muito raro”.

Enfim, senadores supostamente decentes embolaram-se com representantes do que há de pior em política e atacaram a decência, que sempre é posta de lado quando o assunto requer o corporativimo canalha.

Mas volto a Pal Schmitt, presidente da Hungria, traçando um paralelo do seu caso com casos dos nossos “doutores” petistas. Aloizio Mercadante, por exemplo, obteve o título de doutor pela Unicamp com uma tese baseada em um livro já publicado por ele mesmo, “Brasil, a construção retomada”, o que contraria o regimento da universidade, que prevê trabalhos originais. Em sua defesa, Mercadante, disse tratar-se apenas de uma versão mais densa e ousada e, por incrível que pareça, colou (aliás nem é tão incrível assim, em se tratando de um petista aloprado). Isso significa que a tese de 537 páginas intitulada “As bases do Novo Desenvolvimentismo no Brasil: análise do governo Lula (2003-2010)”, apresentada em um auditório para mais de 150 pessoas, foi considerada original apesar de vir depois do livro. E dane-se o regimento da Unicamp.

Não, nesse caso Mercadante não precisa renunciar. Apesar dos pesares ele é “dotô” de fato e de direito. Quem deveria ser preso é o reitor da Unicamp, acompanhado pela sua Comissão Examinadora do Doutorado, que apesar de constatar a violação do regimento, validou a tese (que deve ser uma maravilha...).

Outro pior foi o caso do falso doutorado de Dilma. O título constava de seu currículo oficial e, numa entrevista que deu ao Roda Viva quando ainda era candidata, o apresentador citou um a um seus atributos acadêmicos e, sem esboçar nenhuma reação, ouviu ser detentora de um “doutorado em Economia pela Unicamp”.

Mais tarde, descobriram que o doutorado de Dilma só existia no impressionante “Compêndio das mentiras que o PT conta”, nada de canudo. E o que houve então? É simples: tudo ficou como se nada tivesse acontecido. Dilma só não é doutora hoje porque descobriram que ela não é doutora. Mas continua presidente. Vergonhosamente mentirosa, mas presidente e, até aonde eu saiba, sem nenhum arrependimento pela sua falsidade ideológica.

Pois é assim. A gente vai se acostumando a ser cozinhado em banho-maria, com um temperinho petista aqui, outro temperinho petista ali, até se descobrir totalmente pronto para aceitar como normais coisas que até ontem eram crimes.

Será que Pal Schmitt deveria ter renunciado?

Por Ricardo Froes - http://tomauma.blogspot.com.br/

Nenhum comentário:

Postar um comentário