quarta-feira, 8 de maio de 2019

Crítica à pedagogia: os problemas da educação brasileira



            Na última postagem, teci algumas críticas básicas às políticas educacionais do governo Bolsonaro introduzidas no país nos últimos meses. Realmente o panorama da educação tem merecido atenção redobrada nos últimos dias, visto ter se tornado alvo de medidas que demonstram total falta de conhecimento e experiência sobre o tema e até mesmo um certo desdém com algo que é tão importante para o futuro da nação. Mas não basta criticar o desmonte provocado por Bolsonaro e sua trupe de olavistas tresloucados, é preciso buscar mais longe os problemas da educação no Brasil, pois, certamente, esta onda de ignorância e pseudociência que toma conta do país não é gratuita e tem suas raízes fincadas no solo fértil da falta de uma educação de qualidade a nível nacional e o motivo desta baixa qualidade é que vamos tentar compreender um pouco neste texto.
            As considerações que exponho neste artigo são reflexões advindas da minha experiência de quase uma década como professor na educação básica e em colégios públicos no estado do Rio Grande do Sul. Não são simplesmente “achismos”, são conclusões próprias, baseadas na experiência prática e também teórica, de quem, como quase todos os professores, fez graduação, buscou conhecimentos para aprimorar suas aulas e se fazer entender pelos educandos e também participou de cursos de aperfeiçoamento e debates com os colegas de profissão para trocar conhecimentos e experiências buscando sempre ser um professor melhor. Enfim, posso estar errado ou precipitado, mas são as minhas conclusões. Em primeiro lugar, eu vejo como um dos maiores entraves para uma melhoria significativa da nossa educação, o fato de que a maioria da sociedade brasileira pouco ou nada valoriza a escola, o conhecimento e o saber. O professor é visto em grande parte como um “coitado” que ganha pouco e tem de ouvir desaforo do governo, das secretarias de educação, da direção do colégio, do setor pedagógico, dos alunos, dos pais dos alunos, enfim, de quase todo mundo, o que torna a profissão desvalorizada e pouco atrativa. Poucos querem segui-la no país e os que o fazem são na maioria idealistas que, infelizmente, pouco poderão fazer frente ao desânimo geral da categoria. Aliado a isso, temos ainda os pais e a comunidade geral que pouco demonstra apreço pela escola ou por suas atividades, o que se evidencia na baixíssima participação em reuniões promovidas pelos colégios para debater problemas típicos do ambiente escolar, o que pode ser traduzido da seguinte maneira, se tem reunião no colégio, e os pais ficam em casa vendo televisão ou desempenhando outras atividades menos importantes, que recado estão passando aos filhos? Simples, o de que a escola não tem importância, de que ela é apenas um obstáculo chato a ser superado com muito esforço e sacrifício. Para finalizar, pais ou responsáveis raramente se ocupam, ajudam ou participam da aquisição do conhecimento dos educandos, o que se aprende em sala de aula pouco importa para os responsáveis que, muitas vezes, também não tem o conhecimento necessário para participar deste aspecto educacional. E, por fim, a máxima brasileira, aluno bom é visto como otário e bajulador, sendo muitas vezes vítima de bullying por parte dos colegas.
            Outro aspecto bastante sensível é a questão das teorias pedagógicas vigentes no país, sempre muito melindrosas, pois qualquer crítica ou questionamento sobre sua eficácia é rapidamente repudiada pelo mundo acadêmico pedagógico que mais parece ter criado uma religião com seus cânones infalíveis do que uma verdadeira ciência que cria teorias e as põe em prática para auferir os resultados. Na pedagogia brasileira os resultados são um detalhe insignificante, o que importa mesmo é ficar insistindo em teorias que muitas vezes nunca foram testadas e se foram, mostraram-se ineficazes. Mudar para que? O importante mesmo é fazer como as religiões, mesmo contrariando toda a realidade em volta, o que tem verdadeiro valor são os mantras repetidos desde muito tempo. O principal problema desta pedagogia é transformar o aluno em uma eterna vítima, onde tudo conspira para que ele seja um fracassado e a solução disso é a escola ser totalmente complacente e benevolente com o educando: Não consegui entregar o trabalho? Dilata-se a data de entrega. Foi mal na prova? Fazem-se mais duas ou três recuperações, sempre baixando o nível do conteúdo exigido. Não presta atenção na aula, mantém conversas paralelas e discute com o professor? Culpa do mestre, que não sabe dar uma aula criativa que prenda a atenção do aluno. E assim seguem-se muitos e muitos outros aspectos que mais atrapalham do que realmente ajudam o aluno na sua jornada escolar.
            Bem, como o assunto é longo e demanda bastante atenção por ser tema sensível a todos nós, vou encerrar esta postagem por aqui e continuarei no próximo artigo a elencar todos os grandes problemas da educação brasileira conforme a minha experiência e também de acordo com resultados de todos os testes, provas e desafios a que os estudantes brasileiros são submetidos, onde, invariavelmente, para nossa vergonha, sempre ocupam as últimas colocações em nível internacional, o que por si só já diz muito sobre o fracasso das teorias pedagógicas no Brasil.

Max Gräff

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